quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A arte de fazer amigos

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que as minhas referências são exclusivamente psicológicas, não têm a pretensão de esgotar toda a beleza da amizade e toda a profundidade da doação, uma das experiências humanas mais elevadas.

Deparei certa vez com uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional para a Educação, dos Estados Unidos, na qual perguntaram a mil pessoas na faixa dos 30 anos se elas achavam que a educação oferecida pelas escolas superiores dotava os educandos das capacidades necessárias para enfrentar o mundo real. Mais de 80% dos entrevistados responderam: "De modo algum".

A pesquisa também perguntava o que essas pessoas gostariam de ter aprendido. As respostas mais recorrentes diziam respeito às capacidades necessárias para desenvolver relacionamentos: 1) como relacionar-se melhor com as pessoas com as quais se vive; 2) como encontrar e manter um trabalho; 3) como administrar os conflitos; 4) como ser bons pais; 5) como entender o desenvolvimento normal de uma criança; 6) como administrar as próprias finanças; 7) como compreender o sentido da vida.

Eu diria que existem várias capacidades fundamentais para tratar as pessoas e transformá-las em amigos. A primeira em absoluto, na minha opinião, pode ser expressa com o ditado "se queres o mel, não destruas a colméia". Em outras palavras: no relacionamento com os outros não adianta criticar condenar nem recriminar. A crítica é perigosa porque fere o orgulho das pessoas e faz com que elas se sintam impotentes e fiquem ressentidas. Skinner, psicólogo famoso em todo o mundo, provou experimentalmente que um animal aprende muito mais rapidamente quando é recompensado pelos seus acertos do que quando é punido pelos seus erros.

Devemos nos lembrar de que muitas vezes lidamos com pessoas que não são governadas pela lógica, mas por paixões impregnadas de idéias preconcebidas e movidas pelo orgulho e pelas vaidades. Qualquer idiota é capaz de condenar, criticar, recriminar. De fato, a maioria o faz. Mas é necessário ter força de vontade e autocontrole para compreender e perdoar.

Outra capacidade importante para construir relacionamentos sólidos é saber que o único modo de fazer-se ouvir pelos outros é falar em seus próprios termos daquilo que eles desejam, ou seja, ver as coisas do ponto de vista do outro.

Mas como fazer para sermos sempre "bem recebidos"? Podemos encontrar uma resposta observando a técnica do maior conquistador de amigos que o mundo já conheceu: o cão. Ele é o único animal que não trabalha para viver. A galinha tem de botar ovo, a vaca deve produzir leite, o canarinho deve no mínimo cantar... O cão vive do amor que dá. Não precisa ler um livro de psicologia para entender a grande lição de vida que seu instinto lhe ensina: podemos conquistar mais amigos em dois meses mostrando-nos interessados pelos outros do que em dois anos tentando induzir os outros a interessarem-se por nós. Se quisermos conquistar amigos, devemos nos esforçar em fazer pelos outros coisas que exigem tempo, energia, altruísmo e boas intenções.

Um terceiro modo de nos tornarmos simpático aos outros é sorrir. É por isto que os cães são tão queridos: quando vêem os seus donos, ficam loucos de alegria. Se quisermos que as pessoas fiquem felizes quando estão conosco, temos de demonstrar que estamos felizes por nos encontrarmos na companhia delas.

Lembro-me ainda de outra maneira para conquistar amigos: ser um bom ouvinte e encorajar os outros a falarem de si. Às vezes uma simples dor de dente pode preocupar uma pessoa muito mais do que a grande carestia que faz milhões de vítimas na China, e uma espinha no pescoço pode ser mais incômoda do que 50 enchentes na Índia. Pense nisso na próxima vez que começar a conversar com alguém. Lembre-se: se quiser ser um bom interlocutor, seja antes de mais nada um ouvinte atento.

Enfim, como tornar-se simpático aos outros? Existe uma norma muito importante que regula os nossos relacionamentos: "Sempre transmita aos outros a sensação de que eles são importantes". O desejo de ser valorizado é uma necessidade primária da natureza humana.

Todos temos necessidade de aprovação por parte das pessoas com as quais convivemos, todos queremos ver reconhecida a nossa dignidade. Precisamos nos sentir importantes no nosso pequeno mundo. Não se trata de bajulações falsas, falo de aprovações sinceras. Sigamos então esta regra de ouro: façamos aos outros aquilo que gostaríamos que fosse feito a nós.


Pasquale Iónata
Psicólogo Membro do Movimento dos Focolares

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Para aqueles que preferem a escuridão, a luz é uma acusação.

Uma reflexão sábia que questiona nossa capacidade de fazer diferença no mundo.
Impressiona-me a quantidade de pessoas que saem por aí a repetir conceitos e “verdades” sem fundamento em nada, a não ser em sua opinião pessoal elevada ao grau máximo de pretensão de que a verdade sempre deve coincidir com opinião dela e,  se não coincidir, a verdade, claro, está “errada”.
Não podemos nos omitir de fazer diferença no mundo, diferença para o bem porque já tem MUITA gente  fazendo diferença para o mal.
Continua verdade, ainda de maneira mais categórica ainda nos dias de hoje, o que Jesus afirmou sobre o sal que não salga e que, portanto, não serve para nada.
A omissão, seja de que natureza for, não é apenas um vazio, é também abrir espaço para que o mal pareça mais forte e para que as pessoas continuem caminhado pela vida seguindo a voz do mais forte ou, por falta de convicções pessoais, seguindo a maioria, como manada, como ovelhas sem pastor.
Nessa perspectiva, é preferível um ateu honesto do que um Cristão omisso.
Pelo menos o ateu,” filho do nada”, é coerente com suas convicções, ao passo que o cristão omisso, mas do que negar suas convicções nega sua essência e sua identidade evangelizadora mais profunda.
Deixa de ser sal,torna-se “insosso”, não serve mais para salgar o mundo.
***
Dan Kennedy, presidente de Human Life
Indivíduos e nações têm a capacidade de realizar grande bem e extremo mal. O mesmo ocorre com instituições e profissões.
É instrutivo que a história seja repleta de evidências de que respeitadas instituições culturais (por exemplo, o mundo acadêmico, os tribunais, os meios de comunicação, a ciência) possam se tornar infectados com a corrupção moral mais radical. No passado, elas “ratificaram” o mal — escravidão, genocídio e outras atrocidades — como “bom”.
As instituições culturais exercem uma influência poderosa umas nas outras e, quando se corrompem, aceleram o mundo político a aceitar o mal como bom. O desejo de agir conforme a moda faz com que muitas pessoas de bom grado sufoquem aquela vozinha baixa que protesta contra o mal que se mascara como totalmente bom.
Toda nossa geração vive a beira da história, e só um tolo creria que sua geração é imune aos males do passado. E assim permanece. “Nunca mais” é, em si, nunca bom o suficiente. A própria ostentação da condenação e o distanciamento elaborado de nossas vidas da injustiça do passado pensamos que garante nossa inocência.
Mas o mal muda seu disfarce; a injustiça aparece em diferente forma. De novo, o mundo político se torna infectado com cegueira para com seus próprios campos de massacres.E assim é em nossa época.
Certas instituições culturais, comercializando em sua autoridade, aprovam o mal moral radical como “bom”. Em verdadeiro estilo elitista, elas travam guerra contra a humanidade sancionando o aborto como a solução para a gravidez não planejada, a eugenia como meio de filtrar uma porção de doenças (por exemplo, filtrando aqueles que as sofrem) e a eutanásia como um tratamento compassivo para o sofrimento no final da vida. Esses são os campos de massacres hoje. Esses são os males sancionados da moda em nossa época.

Escrito no coração

A verdade realmente nos liberta. Para parafrasear G.K. Chesterton: os princípios morais universais que transcendem os governos e a história humana são a única coisa que nos libertam de nos tornarmos escravos do favorecido mal de nossa era.
Esses princípios morais não são um mistério.
Certas verdades morais estão escritas no coração humano. Como o título inteligente de um dos livros do Professor J. Budziszewski deixa claro, há certas coisas que “não podemos saber”*, não importa quantas pessoas finjam conhecer.A história fornece testemunho inspirador dessas almas inflexíveis, livres da cegueira míope de sua era, que falaram e viveram esses princípios. E o mundo é melhor por isso.
Em nossa época, temos também de assumir essa luta. Sem essa contínua luta, a eventual negação de qualquer direito, de qualquer pessoa ou grupo, por qualquer motivo será imposta pelos fortes contra os fracos.
Não devemos permitir que o desejo de adaptação aos modismos sufoque a voz da consciência em nossa época. Precisamos dar testemunho da verdade com nossas palavras e nossas ações, seja qual for a circunstância em que nos achemos. Para a maioria de nós, isso não exige gestos magníficos, ou debate intenso, mas simples declarações de convicção, para nossas famílias, nossos colegas e nossos vizinhos.
Nossa responsabilidade como cidadãos tem de nos conduzir a informar nossas autoridades eleitas acerca de nossa posição sobre certas questões, e nosso voto pelos candidatos precisa refletir nossas convicções.
Em nosso trabalho voluntário, e as instituições beneficentes para as quais doamos, em mil pequenas maneiras podemos alimentar uma cultura da vida. Esse é o importante trabalho que somos chamados para fazer.Nós todos conhecemos o provérbio, é melhor acender uma vela do que praguejar a escuridão. Não é fácil.
Para aqueles que preferem a escuridão, a luz é uma acusação.
Se ousarmos acender uma vela e dispersar as sombras, seremos condenados como inimigos da liberdade e inimigos do “bem”. Esse é um pequeno sacrifício a se fazer ao defender o direito à vida dos membros desfavorecidos, fracos e vulneráveis da família humana.
O que a história registrará sobre nossa geração? O que as futuras gerações escreverão sobre nossa era depende de nós. Nas palavras de Winston Churchill, “Preparemo-nos pois para o nosso dever”. Podemos estar certos de que prevaleceremos. A luz ainda brilha na escuridão, e a escuridão não a venceu.*J. Budziszewski, What We Can’t Not Know, Spence Publishing

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Vocação de Maria e a Nossa Vocação

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a liança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.


Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de deus desde o princípio. Ontem vimos que a sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra"(Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida.

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e inféis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para tantarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para serví-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha.


Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: " Faça-se em mim", ela disse. Maria buscava veeementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirjamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para serví-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.


E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: "Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"(Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: "Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus", seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem"(Lc 1,46-50).


Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazera vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela "arranque" do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do espírito santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandescente, e possamos dizer com ela: "Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo" (Lc 1,49).
Texto da Escola de Formação Shalom
escoladeformacao@comshalom.org

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Bem aventurado os mansos

 Na vida de São Clemente Hofbauer, há um fato que mostra a força do perdão e da mansidão. Certa vez ele entrou numa taverna para pedir uma esmola para as obras que realizava. Um homem, Kalinski, o odiava, e estava presente. São Clemente entra, se dirige à mesa de Kalinski e pede uma esmola. ´Como é Kalinski, você não vai fazer nada ?´ falou alguém. Kalinski pegou o copo de cerveja que bebia, encheu a boca e despejou no rosto de São Clemente. Embora de índole colérica, o santo não se perburba. Puxou o lenço, limpou o rosto e disse ao agressor: ´Você já deu o que eu mereço. Agora, dê uma esmola para meus pobres´. A atitude do santo desconcertou Kalinski e os demais do grupo. Na mesma noite Kalinski mandou a São Clemente um saquinho de moedas de ouro e, arrependido e penitente, tornou´se grande amigo e colaborador do santo. É a força da mansidão e do perdão. Isto é amontoar brasas ardentes sobre a cabeça do pecador.
 Para praticarmos essa bela virtude é preciso estarmos convencidos de sua beleza, eficácia e poder, pois o mundo nos ensina o contrário: ´bateu, levou!´ Jesus ensina o oposto: ´bateu, dê´lhe a outra face!´ É certo, como dois mais dois são quatro, que o agressor ficará desconcertado e envergonhado do seu gesto. Senão na hora, depois, quando esfriar o seu sangue. As brasas do amor foram acumuladas sobre a sua cabeça...
 Estou convencido de que esta é a maior prova para o cristão: ´pagar o mal com o bem, amar o inimigo, orar pelo que te persegue...´. Não é fácil perdoar e orar pela mulher que levou o seu marido; pelo rapaz que assassinou o filho; pelo ladrão que roubou o seu carro; pelo sujeito que te humilhou em público, etc,etc,etc... Não é fácil ! A natureza reage, esperneia, quer vingar´se, quer o revide, quer beber o sangue do outro... Só pela graça de Deus é possível, pois, como disse Santo Agostinho: ´o que é impossível à natureza, é possível à graça´.
 Quando olho para Jesus crucificado, a lição mais forte que aprendo é essa: ´Eu que sou Deus, morri crucificado, perdoando os meus algozes. Faças o mesmo se queres ser cristão´. Não há mérito maior diante de Deus.
 Que o Teu preciossíssimo Sangue caia sobre nós Senhor, e nos conceda essa graça.
 A mansidão deve ser vivida em pensamentos, palavras e atos. No trato com as pessoas é preciso ser cordial, bem´humorado, ter o sorriso nos lábios e ser paciente com os defeitos dos outros, principalmente quando esses nos irritam. Se Jesus sofreu tanto, sem perder a calma e a paz, porque não podemos aceitar os pequenos defeitos dos outros?
 São Francisco de Sales diz que: ´Não há nada que tanto edifique o próximo como a caridosa benignidade nos tratos´. Nunca ele repreendia alguém com agressividade; apenas os advertia dos seus erros com bondade. O seu grande amigo, São Vicente de Paulo, admirava a sua mansidão e aprendeu com ele a ser manso. Dizia também: ´Para os superiores, não há melhor meio de se fazer obedecer do que a mansidão´.
 É preciso evitarmos o mal hábito que às vezes temos de repreender os outros com aspereza, com raiva e nervosismo, pois isto faz mais mal do que bem a quem queremos corrigir. Muitos pais enganam´se muito neste ponto e corrigem os filhos com agressividade, por palavras e atos. É um mal. São Paulo diz aos pais: ´Não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai´vos na educação e na doutrina do Senhor´ (Ef 6,4). Não exasperar o filho, é não deixá´lo com raiva de nós, pais. É preciso saber corrigir os filhos, com paciência, bondade e mansidão, na hora oportuna e sem humilhar o filho na frente dos outros, principalmente dos seus amigos. Não devemos também corrigir uma pessoa quando ela estiver irritada, pois ela ficaria ainda mais exasperada, ao invés de fazê´la mudar o seu comportamento. Espere a pessoa se acalmar.
 Jesus foi manso e bondoso com os pecadores: Com a samaritana no poço de Jacó, com Zaqueu, com Madalena, com Pedro após negá´lo três vezes, e até com Judas no horto das Oliveiras. ´Judas, é com um beijo que me trais? Com um beijo trais o Filho do Homem?´ (Lc 22,48). Para Pedro foi um olhar de bondade: ´O Senhor voltou´se e olhou para Pedro´ (Lc 22,48´61). Esse olhar de bondade de Jesus fez correr as lágrimas de arrependimento dos seus olhos.
 São Vicente de Paulo ensinava que: ´A afabilidade, o amor e a humildade tem uma força maravilhosa para ganhar os corações dos homens e levá´los a abraçar as coisas mais desagradáveis à natureza humana´. E dizia ainda que: ´O espírito infernal se serve do rigor de alguns para causar maior dano às almas´.
 Diz o livro dos Provérbios que:
 ´Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a coléra´ (Pr 15,1). É preciso saber calar quando estamos com o sangue fervendo nas veias. Uma coisa é certa: só dizemos coisas erradas quando estamos inflamados pela paixão. Depois ficamos com vergonha de nossas palavras e atitudes destemperadas. Saber calar na hora do aborrecimento e da irritação é grande sabedoria e mansidão. São Francisco de Sales disse: ´Eu nunca me deixei conduzir pela ira sem que logo me tenha arrependido´. Penso que cada um de nós pode fazer suas essas palavras do santo.
 É preciso também ser manso consigo mesmo. Não se irritar com as próprias faltas. Santo Afonso de Ligório ensina´nos que: ´Irritar´se contra nós mesmos, após uma falta, não é humildade, mas refinada soberba, como se nós não fossemos fracos e miseráveis criaturas´. Santa Teresa dizia: ´A humildade que irrita não vem de Deus, mas do demônio´.
 O grande perigo, de zangar´se contra si mesmo após uma falta, está no fato de deixar a alma perturbada e, nesse estado deixa´se a oração, a comunhão e as demais práticas da piedade, ou então as fazemos mal. Santo Afonso afirma que: ´Uma alma perturbada pouco conhece a Deus e aquilo que deve fazer´.
 Após uma falta é preciso voltar´se com humildade e confiança para Deus, e dizer como Santa Catarina de Gênova: ´Senhor, estas são as ervas daninhas do meu jardim´.
 Na Oração de Judite ela diz: ´Os soberbos nunca vos agradaram, mas sempre vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes´ (Jd 9,16).
 Ninguém e nada rouba a paz de quem tem o coração manso e humilde, e é neste sentido que eles ´possuirão a terra´ (Mt 5,4).
 Os santos ao invés de odiarem aqueles que os maltratavam, os amavam ainda mais, e oravam por eles, porque sentiam pena deles. Santa Teresa dizia que: ´As pessoas que falam mal de mim, parece que eu as amo com mais amor´.
 Uma coisa é certa ´ afirmam os santos ´ só possui a mansidão quem cultiva a humildade, e tem pouco conceito de si mesmo. É preciso, por exemplo, saber receber as correções que os outros nos fazem, com mansidão e sem revolta. São Francisco de Sales dizia que isto ´é um grande sinal de progresso na perfeição´. É muito difícil encontrar alguém que, ao ser corrigido, não fique se desculpando e se defendendo. É um ótimo exercício de humildade e mansidão calar´se ao ser corrigido por alguém, mesmo tendo´se certa razão. O fato de ficarmos ofendidos quando somos criticados é sinal forte de que precisamos dessa crítica. ´Aquele que odeia a correção segue os passos do pecador´ (Eclo 21,7).

terça-feira, 22 de junho de 2010

A maior de todas as virtudes é a caridade.

Entrevista com o padre Giorgio Maria Carbone, docente de teologia moral
Para muitos, a ideia de caridade não vai muito além da ação de distribuir esmolas.
Não há dúvida de que toda boa ação de doação para o próximo é meritória, mas, para o cristianismo, a caridade tem um significado muito mais profundo, e deve ser praticada para além da filantropia.
De fato, para a religião cristã, a caridade está intimamente ligada ao amor, à tomada de responsabilidade nas relações com os demais, que implica num comportamento fraterno. Talvez por essa razão São Paulo tenha indicado a caridade como “a maior e todas” as virtudes.
Tratando deste tema, o padre Giorgio Maria Carbone, frei dominicano e sacerdote, doutor em jurisprudência e teologia, docente de teologia moral junto à Faculdade de Teologia dell’Emilia Romagna, publicou recentemente um livro intitulado Ma la più grande di tutte è la carità (“Mas a maior das virtudes é a caridade” – Edizioni Studio Domenicano).
O que é a caridade?
Padre Carbone: A caridade é, em primeiro lugar, a própria identidade de Deus. É o que nos ensina João: “Deus é amor” (1 Jo 4,16). Nesta passagem, o apóstolo usa a palavra grega ágape, que significa amor gratuito de benevolência. A caridade, assim, significa o amor com qual Deus ama a si próprio, isto é, o amor com qual o Pai ama o Filho, e este amor é o próprio Espírito Santo. A caridade significa também o amor com que Deus ama cada um de nós: e Deus nos ama com o mesmo Amor com o qual se ama, isto é, nos ama no Espírito Santo. É este o significado da oração que Jesus dirige ao Pai antes de ser preso (Jo 17,26): “Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste [que é o próprio Espírito Santo] esteja neles, e eu neles”. Enfim, a caridade significa também o amor com o qual nós amamos a Deus, a nós mesmos, e ao nosso próximo. Este último é, assim, um amor de resultados, que depende do fato de que Deus é amor e de que Deus nos ama.
O que distingue a caridade cristã do conceito de solidariedade e de outras formas de altruísmo secularizado?
Padre Carbone: O elemento característico que faz a diferença está em sua origem, na fonte e na consciência desta origem. A caridade é a própria natureza de Deus, é o fato de que Deus me ama com o mesmo amor com o qual ama a si mesmo. É justamente o fato de Deus me amar e me envolver em sua dinâmica do amor, que me torno capaz de amar com o mesmo amor: esta é a caridade cristã.
É uma espécie de habilitação que Deus opera em nós: Jesus Cristo, amando-nos, nos faz capazes de também amar com seu coração e seu impulso, com suas motivações e seus fins. Este é o desígnio de salvação pelo qual todo homem e toda mulher é chamado a participar ativamente: um desígnio de amor salvífico que se realiza mediante o amor voluntário, isto é, do amor que se faz doação. É o que diz São Paulo em sua carta aos Efésios. Assim, a caridade encontra sua origem no próprio Deus e nos coloca em conformidade com a vida de Cristo.
A solidariedade, o altruísmo, a benevolência genérica constituem boas disposições do ânimo humano, isto é, constituem autênticas virtudes e podem compelir aos mesmos gestos que nos conduz a caridade. Mas as origens e as metas da solidariedade e do altruísmo são diferentes daqueles da caridade: de fato, a solidariedade nasce da consciência de se pertencer a uma mesma comunidade, partilhando interesses e fins comuns.
Em seu livro, o senhor sustenta que a caridade é a forma de todas as virtudes. Porquê?
Padre Carbone: Dizer que a caridade seja a forma de todas significa que conduz todas as virtudes à mais alta perfeição. Mas é preciso entender bem. Cada virtude humana, como as virtudes cardeais da prudência ou da justiça, aperfeiçoa o homem relativamente a algum aspecto de sua vida. Por exemplo, a virtude da justiça aperfeiçoa minha vontade porque me torna capaz reconhecer e realizar o bem comum e o direito do próximo. Assim, me aperfeiçoa no que se refere às minhas relações sociais interpessoais. A caridade, por sua vez, me relaciona me primeiro lugar com Deus, porque é uma resposta de um amor recebido de Deus; depois, me relaciona comigo mesmo e com meu próximo, pois me torna capaz de amar a mim mesmo e a ele com o mesmo coração e a mesma vontade de Jesus Cristo; e, enfim, me orienta não tanto a buscar algum fim próximo, e sim o fim último e definitivo, que é o próprio Deus.
A fé católica indica a caridade como uma das virtudes teologais. São Paulo sustenta que a caridade é a maior de todas as virtudes. Qual razão desta posição privilegiada?
Padre Carbone: Em parte devido aos motivos que já discutimos, e em parte devido a outras razões que podem ser inferidas a partir da comparação entre as virtudes da caridade e aquelas da fé. Ambas são virtudes teologais, no sentido de que ambas têm Deus como origem: apenas Deus é causa eficiente da fé e da caridade, ninguém pode causá-las em si mesmo; podemos nos dispor a receber estas virtudes, mediante a oração, pela prática da humildade, recebendo os sacramentos, mas não somos nós que damos origem a tais virtudes: é Deus que as doa. São teologais também porque Deus é seu objeto: com a fé nós conhecemos a Deus e aquilo que Deus diz de si mesmo e da criação; e com a caridade nós amamos a Deus e por Ele somos amados. Mas a diferença é a seguinte: a fé aperfeiçoa a inteligência humana e nos leva a conhecer o próprio Deus. Este processo de conhecer faz uso da linguagem e dos conceitos humanos, e, portanto, de conceitos limitados, finitos, que são, por sua própria natureza, redutores da realidade ilimitada que é Deus. Assim, a fé, enquanto aperfeiçoa a inteligência, tem um limite objetivo: reduz Deus aos limites finitos de nossos conceitos, ainda que possam ser ideias e conceitos contidos na revelação histórico-bíblica. A caridade, ao contrário, aperfeiçoa a vontade, e esta vontade é dirigida à pessoa amada como nela própria. O amor e a vontade comportam um movimento da pessoa que ama à pessoa amada para alcançar esta pessoa em sua própria identidade real, e não por ideias ou conceitos que dela fazemos. Por essa razão, a caridade é também mais excelente que a fé: leva a alegrar-se e amar a Deus por aquilo que é em si mesmo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O matrimônio no olhar dos jovens.

Pesquisa recente dos Cavaleiros de Colombo e do Marist Institute for Public Opinion constatou que os jovens católicos americanos nascidos entre 1978 e 2000 são, em sua maioria, crentes. 85% crêem em Deus.
Suas prioridades são o matrimônio e a proximidade com Deus; 82% deles acreditam que a importância do matrimônio tem sido subestimada no meio social.  60% consideram práticas como o aborto e a eutanásia moralmente erradas.
Apesar dessas amostragens positivas, também constatou-se também os efeitos da “ditadura do relativismo”, como o Papa Bento XVI costuma se referir à onda de permissividade e relativismo moral que vigora atualmente no mundo, sobre a educação destes jovens. 61% deles acreditam ser justo que o católico pratique mais de uma religião, e 82% consideram as questões morais “relativas”.
Ao evangelizar esses jovens e afastá-los do relativismo (trazendo-os, conseqüentemente, definitivamente para Cristo) é preciso dar destaque ao positivo, a matéria diz, segundo o próprio Papa Bento XVI:
“O cristianismo, o catolicismo, não é uma acumulação de proibições, mas sim uma opção positiva. E é muito importante que esta concepção seja restaurada, uma vez que, nos dias de hoje, está quase completamente desaparecida. Falou-se tanto sobre o que não seria permitido, que agora precisamos dizer: temos uma proposta positiva: o homem e a mulher são feitos um para o outro, existe uma escala – por assim dizer: sexualidade, Eros, Ágape, que são as dimensões do amor.
E assim se constitui inicialmente no matrimônio o encontro pleno de felicidade entre um homem e uma mulher, em seguida a família, que garante a continuidade através das gerações, e na qual se realiza a reconciliação entre as gerações. Por isso, primeiramente, é necessário deixar claro aquilo que defendemos.”Bento XVI
Não sei o que descobriríamos se tal pesquisa fosse feita também aqui no Brasil, mas se percebermos que os jovens têm o matrimônio em tão alta conta, e entendem que a instituição do matrimônio têm sido desvalorizada (e até mesmo atacada) pela sociedade, basta apresentar a eles a visão positiva que a Igreja tem a respeito do Sacramento do Matrimônio, e o belíssimo sentido do amor esponsal na doutrina cristã, que esta mensagem será capaz de ecoar nesses jovens corações durante toda a sua caminhada enquanto esposos e pais católicos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Santa Teresinha e a Eucaristia

 “Ah! Como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma”...
Assim Teresa narra o “belo dia entre os dias”, sua primeira comunhão. O beijo místico de Jesus...
Ela continua: “Foi um beijo de amor, sentia-me amada e dizia também amo-vos, dou-me a Vós para sempre...
Momento profundo, marcante para seu coração de criança que se sente inundado pela presença de Jesus.
“Naquele dia não era mais um olhar, mas uma fusão, não eram mais dois, Teresa havia sumido como gota d’água que se perde no oceano”...
 Seu coração desejava ardentemente receber Jesus e ainda sem idade para a recepção deste Sacramento ela ansiava por ele. Vendo sua irmã Celina, quatro anos mais velha, se preparar para o receber escutava atentamente as instruções dadas a ela pela sua irmã Paulina. “Uma noite- conta-nos teresa – vos ouvi dizer que, a partir da primeira comunhão era preciso começar uma vida nova. Resolvi logo que eu não esperaria, começaria ao mesmo tempo que Celina”...
 Pois para Teresa, receber Jesus é estabelecer com Ele relação de amor, de entrega e de confiança.
Nas procissões do Santíssimo Sacramento gostava de jogar flores sob os passos de Jesus...“lançava-as o mais alto que podia e não ficava muito feliz senão quando via minhas rosas desfolhadas tocarem o Ostensório sagrado”...

O simbolismo da rosa que se desfolha é para Teresa um tema muito caro, mais tarde, consumida pelo amor e em sua enfermidade ela escreve a poesia “Rosa desfolhada”. Num ato de puro amor a rosa- Teresinha- se desfolha aos pés de Jesus menino para somente causar-lhe prazer...

“ Por Ti devo morrer, beleza eterna e viva
que sorte de ouro!
Desfolhando-me dou prova definitiva
Que és o meu tesouro!...

O gesto da criança que se encanta ao desfolhar suas flores a Jesus Hóstia, agora se concretiza na Carmelita que se consome e morre por amor ao seu Deus, qual rosa desfolhada, “simplesmente de vento ao léu”...

A Santa Missa marca os grandes momentos de sua vida:
 Sua conversão se deu após a Santa Missa.
 “Foi em 25 de Dezembro de 1886 que recebi a graça de sair da infância, em suma, a graça de minha completa conversão. Estávamos voltando da Missa do galo, em que tinha tido a felicidade de receber o Deus forte e poderoso”...

Acontecimento que muda radicalmente sua vida. ”Teresa não era mais a mesma, Jesus havia mudado seu coração”.

Em uma carta a seu irmão espiritual Padre Roulland ela diz:
 “Ele me transformou de tal maneira que eu não me reconhecia mais a mim mesma”...
 Teresa sente-se totalmente transformada, seu espírito se desenvolveu, começa então um novo período de sua vida o que ela mesma chama o mais bonito de todos. Deus em pouco tempo a faz sair da infância- excessiva sensibilidade que vivia qual circulo apertado no qual girava sem encontrar saída.
 Durante a Santa missa teve a inspiração de oferecer-se ao amor misericordioso de Deus.
Foi no dia 9 de Junho de 1895 que durante o Santo Sacrifício da Missa Teresa se oferece ao amor misericordioso de Deus. Espontaneamente, sem formulas e poucas palavras.
 Irmã Genoveva, sua irmã Celina, dá detalhes desse momento inesquecível:
 “Saindo dessa Missa, ela me puxou atrás de si, à procura de Nossa Madre; parecia estar como que fora de si mesma e não falava comigo. Enfim, ao encontrar Nossa Madre Inês de Jesus pediu-lhe permissão para se oferecer comigo, como vítima, ao Amor Misericordioso”...
 Este ato de oferecimento consiste na entrega total, confiante e amorosa ao Amor Misericordioso de Deus, a pessoa se reconhece pequena, “de mãos vazias” e num ato de perfeito amor se oferece a si mesma como oferenda ao Infinito Amor de Deus, para que Ele a invada com torrentes de Misericórdia.
 Não podendo, segundo o costume comungar todos os dias, em seu ato de oferecimento ela pede a “tomada de posse Àquele que transforma o pão em seu Corpo com o fim de transformar o comungante nEle mesmo” (1)
 “Não posso receber a Santa comunhão com a freqüência que desejo, mas, Senhor, não sois Todo- poderoso?... permanecei em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequena hóstia”...
“Vá sem receio receber o Jesus da paz e do amor”...
 1889, Teresa ainda noviça, escreve com maestria uma verdadeira direção espiritual. Voa além das idéias do seu tempo e orienta à comunhão freqüente, “Ele está no Sacrário para Ti, só para ti”...
 Maria Guérin, sua prima, futura Carmelita, Irmã Maria da Eucaristia, atravessava uma dura provação, seu coração se sentia oprimido pelos escrúpulos, pois não se sentia digna de se aproximar da mesa Eucarística. Estava em viagem a Paris, onde sentia-se importunada e invadida pelos prazeres humanos, todo o seu ser de jovem se rebelava e ela sentia-se angustiada. Eis um trecho da carta que enviou a Teresa:
 “Mais uma vez venho atormentar-te e sei por antecipação que não vais ficar contente comigo, mas o que queres, sofro tanto e me sinto melhor quando derramo todas as minhas tristezas no teu coração. Paris não é feita para curar os escrúpulos, não sei para onde olhar; se desvio de uma nudez, encontro outra e assim vai o dia inteiro, é para morrer de tristeza; parece-me que é por curiosidade, preciso olhar tudo. Não sei se vais me compreender, tenho tantas coisas na minha pobre cabeça que não sei como organizá-las. O demônio não deixa de trazer à minha lembrança todas as coisas que vi durante o dia, o que constitui outro motivo de tormento. Como queres que comungue amanhã e Sexta-feira?; não posso. É a maior provação”...
 Teresinha responde:
 “Fizeste bem em me escrever, entendi tudo...tudo, tudo, tudo!...
 tu não fizeste sombra do mal, sei muito bem o que são essas espécies de tentações que te posso assegurar sem temor, por outra parte, Jesus mo disse no fundo do coração... É preciso desprezar todas essas tentações, não lhes prestes nenhuma atenção.
 Queres que te confie uma coisa que me deixou muito penalizada?...
 É que minha Mariazinha deixou as suas comunhões...Oh! como isso entristeceu a Jesus!
 É preciso que o demônio seja muito esperto para enganar assim uma alma!... mas não sabes, minha querida, que esse é todo o objetivo dos seus desejos...
 Já é muito para ele colocar inquietação nessa alma, mas para a sua raiva, é necessário outra coisas: ele quer privar Jesus de um Sacrário amado, não podendo penetrar nesse santuário, quer que pelo menos ele fique vazio e sem dono!... Ai! Que será desse pobre coração?... Quando o demônio conseguiu afastar uma alma da Sagrada comunhão, ganhou tudo... E Jesus chora!....
Mas ouço-te dizer: Teresa diz isso porque ela não sabe... ela não sabe que o faço bem de propósito... isso me diverte... e depois não posso comungar, pois penso que cometeria um sacrilégio, etc. etc. etc... Sim, tua pobre Teresinha sabe muito bem, digo-te que ela adivinhou tudo, assegura-te que tu podes ir sem receio receber teu único amigo verdadeiro... Ela também passou pelo martírio dos escrúpulos, mas Jesus deu-lhe a graça de comungar assim mesmo, embora pensasse Ter cometido grandes pecados... asseguro-te que ela se deu conta que era o único meio de livrar-se do demônio, pois quando vê que perde o tempo ele nos deixa em paz!...

"O que ofende Jesus é a falta de confiança.”

Sabendo por experiência que Jesus é o único que pode nos curar e nos livrar de todos os males que nos afligem, Teresa exorta sua prima a confiar cegamente em sua misericórdia. “Comunga -diz ela- comunga, irmãzinha querida, com freqüência, muitas vezes... Eis o único remédio se queres sarar...
“Entrei no Carmelo para rezar pelos Sacerdotes”...

Santa Teresinha, sempre teve grande respeito pelos Sacerdotes, sua formação profundamente cristã a fez sempre ver a alta dignidade que eles possuem. Porém, a concepção que fazia deles era um tanto ingênua e em sua viagem a Roma teve a oportunidade de conviver com cerca de setenta e cinco Sacerdotes e concebeu uma nova impressão dos Padres. Assim se expressa:

 “Durante um mês, vivi com muitos Padres santos e vi que, se sua sublime dignidade os eleva acima dos anjos, eles não são menos homens fracos e frágeis”.

Assim descobriu a necessidade de rezar pelos Sacerdotes e compreendeu sua vocação de Carmelita que tem por finalidade rezar pelas almas Sacerdotais.

Antes da profissão de seus votos, ela declara em seu exame canônico:
 “Vim ao Carmelo para salvar as almas e, sobretudo, a fim de rezar pelos Padres”. 
Numa carta a Celina, escreve:

“Convertamos as almas, é preciso que este ano façamos muitos sacerdotes que saibam amar Jesus!... Que o toquem com a mesma delicadeza com que Maria o tocava no seu berço”.
Tinha muita vontade de Ter um irmão Padre mas seus irmãozinhos faleceram ainda bebês.
Mas o Bom Deus, como costumava ela dizer, não lhe dava desejos irrealizáveis e no Carmelo a fez irmã espiritual de dois Sacerdotes por quem se ofereceu e se sacrificou até o fim de sua vida.

Visitas ao Santíssimo Sacramento
 Ir. Genoveva, depôs no processo ordinário que a visita ao Santíssimo Sacramento sempre fizera suas delícias. Criança, todas as tardes fazia com seu Pai, Luiz Martin, visitas a Jesus Hóstia.
 No Carmelo passou muitas horas aos pés de Jesus Sacramentado e numa de suas poesias escreve:
“Quero fixar minha morada nas sombras do santuário com o prisioneiro do amor! Ah! Para a Hóstia minha alma aspira. Eu a amo e não quero mais nada. É o Deus escondido que me fascina ”...
Sua última visita ao Santíssimo foi verdadeira despedida. Conta-nos Madre Inês:
“Ela foi pela última vez, visitar o Santíssimo Sacramento no oratório à tarde, mas estava no fim de suas forças. Eu a vi olhar a Hóstia durante muito tempo e eu percebia que era sem nenhuma consolação, mas com muita paz”...
 “Vem ao Meu coração Hóstia Branca que amo”...

Na festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 16 de Julho, Teresa recebe a Comunhão Eucarística na enfermaria. Maria da Eucaristia, sua prima, Com voz “alta e bela” canta a estrofe que Teresa tinha composto para este momento.

“Tu que conheces minha extrema pequenez
que não receias nunca abaixar-te até mim,
vem a meu coração, Hóstia branca que amo,
vem a meu coração que anseia só por ti!
Desejo demais que tua bondade me faça
Morrer de amor após este favor.
Escuta, meu Jesus, meu grito de ternura:
 Vem ao meu coração”.

Na carta que escreve para seus tios ela comenta sobre este dia:
 “Quando Jesus estava no meu coração, Ir. Maria da Eucaristia cantou a estrofe da poesia viver de amor. Não posso dizer-vos como sua voz era alta e bela; prometera-me não chorar para agradar-me; minhas esperanças foram muito ultrapassadas. O bom Jesus deve Ter entendido perfeitamente o que espero Dele e era exatamente o que eu queria!
 “Morrer de amor, eis minha esperança!
Quando verei romperem-se todos os meus vínculos,
Só meu Deus há de ser a grande recompensa
E não quero possuir outros bens,
Abrasando-me toda em seu amor,
A Ele quero unir-me e vê-lo:
Eis meu destino, eis meu céu:
Viver de amor !!!...
Última Comunhão
 Mesmo amando tanto a Santa Eucaristia foi privada de comungar nos últimos momentos de sua vida. Sua última comunhão, 19 de Agosto de 1897 foi um momento de dor e aniquilamento. Teresa chora copiosamente percebendo que já não pode mais receber o seu Deus, sacrifício que lhe oferece como última prova de seu amor.
 Madre Inês, em suas anotações fornece precioso relato deste dia, verdadeiro martírio de amor.
 “A comunhão, que ela outrora tanto desejava, tornou-se motivo de tormento durante a doença. Temia acidentes e gostaria que nós lhe disséssemos que não a fizesse, por causa dos vômitos, da falta de ar e da fraqueza. Não queria assumir essa responsabilidade sozinha mas, como não dizia nada, acreditávamos estar sendo agradáveis, insistindo para que fizesse a comunhão. Continuava calada, mas aquele dia, não agüentando mais, debulhou-se em lágrimas.
 Não sabíamos a que atribuir aquela tristeza e suplicamos que nos dissesse. Mas a falta de ar produzida pelos soluços era tão violenta, que não somente não pode responder como também nos fez sinal de não lhe dirigir mais uma única palavra e nem mesmo olhá-la.
 Não recebeu mais a Santa Comunhão até a morte. Sua última comunhão foi oferecida pela conversão de Jacinto Layson, ex Carmelita que abandonou o Sacerdócio e a Igreja tornando-se herege. Ocupara dessa conversão por toda a vida”.
 Dizia ainda a pequena grande Santa, indo além de sua dor e dando um sentido profundíssimo ao seu sofrimento, num abandono total à vontade de Deus, que se se tornasse impossível receber os sacramentos, ela não se revoltaria, pois “Tudo é Graça”.
“Sem dúvida é uma grande graça receber os sacramento mas quando o Bom Deus não os permite, está bem do mesmo jeito”...
 “Para ganhar uma Comunhão isto não é sofrer demais!”...
 O coração de Teresinha se alargava ao contato com o coração do Senhor Jesus.
Viveu profundamente os sagrados mistérios. Assimilou a tão ponto a presença do seu Deus que já não era mais ela quem vivia era Cristo quem vivia nela. Teresa foi uma hóstia viva no altar da dor e da imolação. O Senhor a transformou, a consumiu em seu infinito amor.
 Junto com ela neste ano Eucarístico testemunhemos nosso amor e nossa adoração a Jesus Hóstia. Ele que é o nosso Deus e nosso Senhor, nosso Tudo e nosso amor.
 “Fixando-se junto à Hóstia,
em seu sacrário de amor;
assim passa sua vida
à espera do último dia,
quando, ao fim das provações,
pondo-se ao lado dos santos,
este grão da Eucaristia
brilhará com seu Jesus”.

Milly OU Milena? Menina ou Mulher?

Eu sou menina porque ainda acredito nos sonhos mas tambem sou mulher porque vivo com os pés bem assentes na terra... Eu sou menina porque adoro rir e brincar tal como as crianças, mas tambem sou mulher porque sei escolher as alturas certas para rir e brincar... Eu sou menina porque ainda acredito em principes encantados, mas tambem sou mulher porque eu sei que o amor é muito mais que uma historia de encantar... Eu sou menina porque acredito no amor eterno, mas tambem sou mulher,e sei que para ser eterno,o amor tem de ser verdadeiro... Eu sou menina porque tenho esperança num mundo melhor mas tambem sou mulher porque observo que o mundo não e aquilo que gostariamos... Eu sou menina porque ainda acredito na frase"Ser sempre feliz!" mas tambem sou mulher,porque sei que nem sempre temos momentos felizes... Eu sou menina porque eu sigo o meu coração, mas tambem sou mulher e sei que por vezes "devemos" seguir a razão... por isso algumas vezes prefiro ser menina...e seguir o coração... deixando escondida para sempre a razão da mulher em mim...